SAMBA-ENREDO DE 2013

 

“Madureira. . .onde meu coração se deixou levar”
Compositores: Wanderley Monteiro, Luiz Carlos Máximo, André do Posto 7 e Toninho Nascimento

E lá vou eu cantando com minha viola
O amor tem seus mistérios
Por onde me deixo levar
Laiá
Nossa história começa por lá
No engenho da fazenda
Dos cantos de “canaviá”

Bate o sino da capela
Ôi… que é dia de santo, sinhá
Tem mironga de jongueiro
O tambor me chamou pra dançar

Tempo rodou na roda do trem e veio
A inspiração do partideiro
Que versou no Mercadão
Foi nesse chão
Que a estrela brilhou no tablado
O “Madura” pisou no gramado
O malandro do charme dançou
No pagode com outro gingado
Quando o bloco chegou
Agitou o suingue do black
E a nega baiana girou

Cai na folia, comigo, meu bem vem na fé
Na ilusão da fantasia
Vai como pode quem quer

Surgiu a coroa imperial
Em outros caminhos para o mesmo ritual
Portela, meu orgulho suburbano
Traz os poetas soberanos nesse trem para cantar
Que Madureira é muito mais do que um lugar
É a capital do samba que me faz sonhar

Abre a roda, chegou Madureira!
A poeira já vai levantar
O batuque ginga ioiô
Ginga Iaiá

SAMBA-ENREDO DE 2012

 

"...E o povo na rua cantando é feito uma reza, um ritual..."

Autor(es): Wanderley Monteiro, Luiz Carlos Máximo, Toninho Nascimento e Naldo

Meu rei
Senhor do Bonfim alumia
Os caminhos da Portela
Que eu guardo no meu patuá
Eu vim com a proteção dos meus guias
Com Clara Guerreira à Bahia
Cheguei, eu cheguei pra festejar
Deixa levar, nos altares e terreiros
Tem jarro com água de cheiro
Vou jogar flores no mar

No mar
Procissão dos Navegantes
Eu também sou almirante
De Nossa Senhora Iemanjá

Vou no gongá
Bater tambor
Rezo no altar
Levo o andor
Vem chegando os batuqueiros
Desce a ladeira meu amor
Que a patuscada começou
Eu vim pra rua
Que o samba de roda chegou

Iaiá
De saia rendada em cetim
Bota o tempero na festa
Oi, tem abará e quindim

Portela cheia de encantos
Acolhe a Bahia em seu canto
De festas, rezas, rituais
Vestido de azul e branco
Eu venho estender o nosso manto
Aos meus santos do samba que são orixás

Madureira sobe o Pelô... tem capoeira
Na batida do tambor... samba ioiô
Rola o toque de Olodum... lá na Ribeira
A Bahia me chamou

"...E O POVO NA RUA CANTANDO É FEITO UMA REZA, UM RITUAL..."

 

Após o desfile de 2011, em que a Portela deixou de competir, pela primeira vez em sua história, devido ao incêndio ocorrido no seu barracão, os diretores de harmonia e carnaval, o mestre de bateria, a porta-bandeira e o mestre-sala pediram demissão. O início de preparação para o carnaval de 2012 começava cheio de dificuldades. A insatisfação com a administração da escola provocava um desmonte de setores importantes.

Diante da possibilidade dessas perdas e por descontentamento com a forma de administrar do presidente Nilo Figueiredo, um grupo de portelenses do site Portelaweb e da torcida Guerreiros da Águia organizou, na tarde da sexta-feira de 11/03, um protesto em frente à sede da Liga Independente das Escolas de Samba (LIESA), no Centro do Rio, pedindo a saída do presidente da agremiação. Com cartazes e bandeiras contra a atual administração da escola, o grupo apresentou um manifesto chamado de "As sete pragas do Nilo", revelando um balanço da gestão do presidente Nilo Figueiredo na Portela.

Passada toda essa turbulência inicial, a escola acertou a permanência dos diretores e do casal de mestre-sala e porta-bandeira e trouxe o carnavalesco Paulo Menezes, um sonho antigo dos portelenses, que viam em seu trabalho uma grande identidade com o estilo da escola.

A expectativa se voltava agora para a escolha do enredo. Para seu desfile de estréia na escola de Paulinho da Viola e Monarco, o tema escolhido por Paulo Menezes foi “... E o povo na rua cantando é feito uma reza, um ritual”, de sua autoria e do cantor e compositor Marquinhos de Oswaldo Cruz. O ponto central eram as festas da Bahia, com a presença ilustre de Clara Nunes como responsável por conduzir os portelenses até a Bahia para conhecer suas festas.

De posse da sinopse, elogiada por muitos, chegou-se à fase de composição dos sambas-enredo. Na apresentação da safra, um samba se destacou - o composto por Wanderley Monteiro, Luiz Carlos Máximo, Toninho Nascimento e Naldo. Logo os comentários em torno dessa obra se espalharam por diversos setores e ela se tornou um fenômeno da internet. A letra era uma poesia, como há muito não se via. Falando sobre as festas da Bahia, tendo Clara Nunes como guia, descrevia o enredo facilmente. Possuía uma estrutura diferenciada, com três refrãos. A dúvida que resistia era se a escola teria coragem de levar para avenida uma obra distante do modelo de samba-enredo dos anos anteriores.

A noite daquela sexta-feira, dia 14 de outubro, foi de muita festa e animação na quadra da Caprichosos de Pilares, palco da grande final de samba-enredo da Portela para o Carnaval 2012. Três parcerias se apresentaram: a primeira, formada pelos compositores Wanderley Monteiro, Luiz Carlos Máximo, Toninho Nascimento e Naldo; na sequência, a parceria de Neyzinho do Cavaco, Flavio Viana, Vinicius Ferreira, Charles Braga e Paulo Aparício; e, por último, subiu ao palco a parceria de Ciraninho, Rafael dos Santos, Leandro Fregonesi, Cláudio França e Diogo Nogueira. A vitória, para a euforia dos presentes, foi da parceria de Wanderley Monteiro, Luiz Carlos Máximo, Toninho Nascimento e Naldo, uma decisão acertadíssima da Portela, que há alguns anos não apresentava um samba digno de sua majestosa safra. A escolha desse samba teve repercussão positiva nos vários setores da escola e entre torcedores de outras agremiações. Nas diversas enquetes realizadas pelos sites especializados em carnaval, o samba da Portela era apontado como o melhor do carnaval 2012.

Os ensaios de rua, realizados na Praça Paulo da Portela, em Oswaldo Cruz - porque o Portelão estava passando por uma reforma patrocinada pela Prefeitura do Rio de Janeiro - foram contagiantes, resgatando um clima que a escola havia vivenciado na preparação do carnaval de 1995.

Mas nem tudo eram flores na preparação do carnaval: as velhas notícias de atraso na confecção das fantasias e dos carros alegóricos voltavam a assustar os portelenses. Faltando pouco mais de dez dias para o carnaval, os funcionários do barracão anunciaram uma greve. Eles afirmavam que o presidente da agremiação não pagava os salários havia duas semanas.

Apesar de todas as dificuldades vivenciadas, a Portela, dona do melhor samba-enredo do carnaval 2012, entrou na avenida com a missão de fazer um desfile que honrasse sua tradição, sendo a segunda escola a se apresentar na Marquês de Sapucaí no espetáculo de domingo de carnaval, dia 19 de fevereiro. Com 35 alas, 7 alegorias, 3 tripés e 4 mil componentes, a escola começou sua apresentação na Sapucaí de maneira arrebatadora, como há muito tempo não se via.

A comissão de frente, que representava o sincretismo religioso, trouxe componentes fantasiados de orixás, e um babalorixá interpretado pelo ator Milton Gonçalves. A encenação teve ainda a presença de uma figurante lembrando Clara Nunes.

Logo em seguida, o experiente casal de mestre-sala e porta-bandeira Rogerinho e Lucinha Nobre mostrou toda a sua competência e técnica. Suas vestimentas lembravam Oxóssi e Iansã, que no sincretismo se tornaram São Sebastião e Nossa Senhora da Conceição, santos padroeiros da escola.

A impactante abertura foi completada pelo pede-passagem, que trazia o símbolo maior da escola, a águia, toda dourada e cheia de brilho. E, desta vez, não teve primeira-dama ou qualquer outro destaque perto do símbolo da escola. Quem veio no tripé com a águia que abriu o desfile foram Paulinho da Viola, maior ídolo da escola, e a também portelense Marisa Monte. A aparição dos dois em frente à arquibancada do setor 1 foi suficiente para levantar o público.

A Velha-Guarda da Portela estava presente no início do desfile, junto ao tripé que trazia a figura de Oxóssi, padroeiro da escola.

O abre-alas era uma réplica da Igreja do Bonfim, de estilo barroco. Em suas laterais, milhares de fitinhas do Senhor do Bonfim foram amarradas pelos componentes da escola.

“Como se saúda a rainha do mar” era o título da segunda alegoria, que lembrou as festas ligadas ao mar. Uma enorme figura de Iemanjá, com 60 litros d'água e iluminação artística, se destacou pela beleza e pelo fato de ser azulada: as cores da Portela.

A terceira a alegoria, "Eu sou a casa do raio e do vento", era uma homenagem a Iansã, e destacou a religião como maior herança do continente. O carro contou com integrantes do Balé Folclórico da Bahia, que faziam performances de danças afro.

A bateria de mestre Nilo Sérgio, vestida de Filhos de Gandhi, teve uma exibição impecável, misturando ritmos baianos com bastante suingue. À frente dos ritmistas, a rainha Sheron Menezzes, vestida de pomba branca, símbolo do grupo Filhos de Gandhi, cumpriu bem seu papel.

A quarta alegoria, "O canto da cidade", reproduziu os casarões, ladeiras, largos e escadarias do Pelourinho e teve Daniela Mercury como destaque. Além dela, o carro lembrou a banda Timbalada, dispondo os integrantes em uma grande escadaria com as roupas do grupo. Tambores do Olodum estavam nas laterais da alegoria.

Um tripé representou a Festa de Cosme e Damião, com decoração e acabamento inferiores aos outros carros.

A quinta alegoria lembrou as festas católicas, com uma representação da Igreja de São Francisco.

As festas juninas foram o tema da sexta alegoria, "E hoje é o aniversário de São João", que apresentou um grande boneco lembrando Gilberto Gil com uma sanfona. Nas bordas do carro, alguns casais dançavam forró. No alto estava Patrícia Costa, passista e neta do Sr. Cláudio Bernardo, um dos fundadores da Portela.

O último carro, retratando as festas portelenses, trouxe figuras emblemáticas da agremiação, entre elas Tia Surica, Monarco e Wilson Moreira. A cantora Vanessa da Matta desfilou no carro representando Clara Nunes. Após desfilar, a cantora demonstrou muita emoção. "Estou chorando até agora. Muita felicidade. A gente geralmente deixa de reverenciar os nossos antepassados e o carnaval tem essa magia que permite trazer de volta pessoas como a Clara, que foi embora tão cedo", disse.

As fantasias e alegorias, quesitos nos quais o carnavalesco Paulo Menezes costuma mostrar muito talento, não foram perfeitas. Algumas alegorias tiveram problemas de iluminação, com parte das luzes não acendendo, e também de acabamento. Alguns componentes, ainda na concentração, reclamavam que as fantasias que lhes foram entregues para o desfile estavam bem abaixo do que havia sido mostrado na apresentação dos protótipos.

A Portela conseguiu fazer um grande desfile ancorada no talento de seu carnavalesco e na garra de seus componentes. O resultado pôde ser notado no rosto de diversos deles, que não seguraram as lágrimas. A escola conseguiu apagar a péssima impressão deixada pelos últimos desfiles. E os torcedores saíram da avenida sonhando com uma boa classificação. Depois de anos, alguns veículos de comunicação colocavam a Portela no páreo para a disputa do campeonato.

Na quarta-feira de cinzas, o sonho da conquista do 22º campeonato não se realizou, e a escola acabou em 6º lugar, garantindo uma volta no Desfile das Campeãs. Apesar de o tão sonhado título não ter acontecido, o desfile da escola foi notícia na imprensa nacional e internacional e na internet, alcançando um grande número de comentários no microblog Twitter e no site de relacionamentos Facebook. Entre os websites, destaque para a matéria do portal do jornal O Globo, que abriu o texto da seguinte forma: “A Portela foi recebida com gritos de 'É campeã' na dispersão. A emoção foi a tônica da escola no fim do desfile. Muitos componentes chegaram chorando, entre eles a porta-bandeira Lucinha Nobre, que lembrou o duro processo de preparação para o dia”. Já o site da Revista Veja destacou a beleza das fantasias dos passistas vestidos com a indumentária do Ilê Aiyê.

O sucesso do desfile da escola esse ano pôde ser verificado também pela quantidade de prêmios recebidos. A Portela ganhou os Estandartes de Ouro de melhor passista masculino e feminino (Valci Pelé e Nilce Fran), melhor samba-enredo, melhor bateria e melhor intérprete. A Super Rádio Tupi promoveu festa de entrega de troféus aos melhores do carnaval, com patrocínio da Capemisa, no Teatro Rival, na Cinelândia. A Portela foi a maior ganhadora da noite, recebendo os troféus como vencedora da Copa do Samba, Melhor Samba-Enredo, Melhor Harmonia, Melhor Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira e Melhor Bateria.

A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro divulgou, na noite do dia 28/03, os mapas com as notas e justificativas dadas pelos jurados no carnaval 2012 e as bonificações. Ainda em fase experimental, os julgadores puderam dar ou não bonificação de 0,1 (um décimo) para a escola que mais se destacara em cada quesito. A Portela, juntamente com a Unidos de Vila Isabel, foi a escola com maior bonificação (0,8 décimos no total): quatro em samba-enredo, uma em bateria, uma em casal de mestre-sala e porta-bandeira, uma em conjunto e uma em comissão de Frente, confirmando-se, assim, segundo o próprio julgamento oficial, a excelência em samba-enredo já apontada pelo Estandarte de Ouro e todos os demais prêmios do carnaval, mais os diversos prêmios em Bateria e Casal. A bonificação extra, embora não valesse para contar pontos no julgamento oficial, só ratificou o bom trabalho de harmonia da escola.

Foi um carnaval de emoção e de superação.

Que o Senhor do Bonfim alumie os caminhos da Portela, pois Madureira sempre será a capital do samba.

FICHA TÉCNICA DO DESFILE DA PORTELA

 

Data, Local e Ordem de Desfile: 2ª Escola de domingo, 19/02/12, Passarela do Samba
Resultado: 6ª colocada no Grupo Especial (LIESA) com 297,2 pontos
Autor do Enredo: Paulo Menezes
Carnavalesco: Paulo Menezes
Presidente: Nilo Figueiredo
Diretor de Carnaval: Alex Fab e Júnior Escafura
Diretor de Harmonia: Marcelo Jacob
1º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Lucinha Nobre e Rogerinho
2º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Kátia Paz e Jefferson
Coreógrafo da Comissão de Frente: Márcio Moura
Bateria: 290 Componentes sob o comando de Mestre Nilo Sérgio
Contigente: 35 Alas

SAMBA-ENREDO DE 2011

 

"Rio, Azul da Cor do Mar"
Compositores: Júnior Scafura, Gilsinho, Wanderley Monteiro, Luís Carlos Máximo e Naldo

Brilhou no céu
A luz da águia, a estrela-guia
Do coração navegador
Que na travessia enfrentou
Todo o medo que havia
Era só mitologia do mar
A lenda deu lugar para a certeza
Que pra viver é preciso navegar
As galés do oriente já vêm
Da Fenícia e do Egito também
Gregos e romanos partem para conquistar
E o Farol da Alexandria fez a noite clarear

Os mistérios vão desvendar
Um novo caminho encontrar
Lá na Índia, especiarias
Leva-e-traz mercadorias

A ambição do europeu se encantou
Com o novo mundo de riqueza natural, sem igual
Os navios negreiros
Deixam seus lamentos pelo ar
Nas águas de Iemanjá
Nem pirata aventureiro ou rei podem mandar
Oi leva mar, oi leva
Leva as jangadas numa nova direção
O porto centenário abriu seus braços
Na terra de São Sebastião
Portela vai buscar no horizonte
A eterna fonte de inspiração
Um oceano de amor que virou arte
E deságua na imaginação

Lindo como o mar azul
Meu grande amor, minha Portela
A força do seu pavilhão vai me levar
A navegar