"GRANDES SUCESSO DA E.S. PORTELA"

 

1962A

1962

 

Em 1962, Moacyr Silva produziu o LP "Grandes Sucessos da E. S. Portela", com Abilio Martins e Zezinho cantando sambas de compositores da escola. A gravadora foi a Copacabana. Abilio Martins e Zezinho já vinham gravando vários sambas desde 1961. Abilio era primo de Mano Décio da Viola e foi também seu parceiro em alguns sambas. Já Zezinho, cujo nome era José Delphino Filho (1915-2000), foi compositor de sambas nas décadas de 50, 60 e 70.

O texto de Jurandir Chamusca na contra-capa exalta o samba e a iniciativa do produtor em eternizar sambas de Paulo da Portela, Zé Ketti, Aniceto, entre outros. Como a Portela vinha de quatro campeonatos consecutivos - 1957, 1958, 1959 e 1960 - o subtítulo "Tetracampeã" aparece na capa.

Os doze sambas são de gravação inédita na época. Jurandir Chamusca afirma que os compositores são formados na "Universidade Portela". "Se você quer saber como pode um compositor do morro, fazer samba, agora, em pleno 1962, assim, com todas as características daquele mesmo samba do século passado, é preciso que você conviva com ele...", afirma.

 

LADO A

De Jaburu e Ary Guarda, o partido-alto "Piau", cantado por Abilio Martins, abre esta obra de grande valor para a memória da Portela. Carioca, Abilio foi puxador da GRES Lins Imperial e, depois deste LP, gravou vários trabalhos incluindo outros sambas-enredo.

A faixa 2 traz "Sofrer por errar" de Aniceto, ex-membro da Velha Guarda e irmão de Mijinha e Manacéa. O samba tem côro de pastoras e arranjo com prato, instrumento sempre presente na bateria da Portela. Quem canta é Zezinho.

Abilio Martins volta na faixa 3 para interpretar "Já sou feliz", um lindo samba de Candeia, que dispensa apresentação. O tema é o homem abandonado pela mulher que, de repente, quer voltar. Em 1962, Candeia já era um nome consagrado na escola.

Cantado no desfile de 1936, numa época em que ainda não havia samba-enredo, "Cidade Mulher", de Paulo da Portela é a faixa 4. Essa versão, interpretada por Ablio Martins, é a mais conhecida pelos portelenses.

"Linda Natureza", de Waldir (que não é Waldir 59) é a faixa 5 e quem canta é Abilio Martins.O samba-canção parece ter sido composto para um possível enredo sobre o tema.

A última faixa desse lado é "Exaltação ao Rio", de Carlos Elias, membro da ala de compositores e jornalista formado pela Universidade de Brasília. Abilio Martins dá uma roupagem diferente a esse samba que exalta a cidade do Rio de Janeiro.

 

LADO B

O Lado B começa com samba de Manacéia grifado no LP como "Manacé". "Sempre teu amor" é um samba-canção que fala do amor de um sambista por sua cabrocha. O solo de agogô e a batida do prato no tempo fraco do samba - vez sim, vez não -, se repete aqui tornando o arranjo das faixas muito parecidos. Nessa época Manacéia já era um dos ícones da ala de compositores da Portela.

Zé Ketti e Mariara aparecem neste LP com o samba "Nós vamos assim". "A Portela bambeia, mas não cai", dizia o samba de terreiro. Zé Ketti já era um sambista renomado e teve, neste mesmo ano, composições suas incluídas na trilha sonora do filme  "O Boca de Ouro", de Nelson Pereira dos Santos.

A faixa 9 é "Pode chorar" de S. Ferreira e M. Santos, samba-canção que fala do sambista que dispensa sua ex-amada. A obra tem um andamento bem rápido e forte virada no refrão.

"Sofrimento" de Antonio Alves é a faixa 10. Aqui volta o tema do sambista que sofre nas mãos da mulher amada. Antonio Alves é o autor do samba-enredo de 1961 da Portela, "Jóias das lendas do Brasil", em parceria com Walter Rosa. Também seria o autor do samba de 1963, "Barão de Mauá e suas realizações", e de 1964, o "Segundo casamento de D.Pedro I" . Daí a importância da presença dele para a obra.

De Marques Balbino, "Micróbio do samba" é a última faixa deste LP interpretada por Abílio Martins. A composição apresenta breques bem colocados. Neste mesmo ano, Balbino Marques teve seu samba-enredo escolhido pela escola em parceria com Zé Ketti, Nilton Batatinha e Carlos Elias. "Rugendas" está no rol dos grandes sambas da Portela.

O samba "Incrível destino" de S. Costa e Beatriz L. Silva fecha o LP "Grandes Sucessos da E.S. Portela". Quem canta é Zezinho.

Não sabemos os motivos da ausência no LP de grandes sambistas portelenses da época como Monarco, Walter Rosa, Waldir 59, Chatim e Casquinha.

A ilustração da capa é de Sergio Malta. Carioca, compositor, publicitário e desenhista, Sergio ilustrou cerca de 400 capas de LPs. Na época deste trabalho, ele tinha 29 anos de idade.

Este LP foi vencedor do "Prêmio Euterpe", de 1963, concedido pela Secretaria de Educação do Estado da Guanabara e pelo Instituro Geográfico e Histórico da Cidade do Rio de Janeiro, aos melhores LPs do ano. O trabalho venceu a sétima edição do prêmio na categoria escola de samba.

 

 

Pesquisa e texto: Marcello Sudoh

 

 

LP Grandes Sucesso da E.S. Portela (1962)