SEM INFORMAÇÕES

 

1931 

 

Assim como ocorreu no Carnaval de 1930, a imprensa deu pouca importância aos desfiles dos pequenos agrupamentos no Carnaval de 1931. Todas as publicações estavam focadas nos ranchos e nas grandes sociedades e pouca coisa se sabe sobre o que ocorreu na Praça Onze, onde as classes menos favorecidas brincavam o carnaval.

 

No dia 7 de fevereiro, sábado, “O Jornal” realizou o “Dia dos Blocos Suburbanos” no Méier e, no dia 12 de fevereiro, quinta-feira, o “Jornal do Brasil” organizou o “Dia dos Blocos”. Os dois desfiles acabaram ocorrendo no dia 12, já que no dia 7 choveu muito e os responsáveis de “O Jornal” resolveram não realizar o certame naquele dia. No dia 16, segunda-feira, ocorreu o “Desfile dos Ranchos” e no dia 17, terça-feira, foi o dia do desfile de outros agrupamentos carnavalescos descritos pelos jornais as vezes como blocos, as vezes como grupos de samba.  Seis agremiações participaram do “Dia dos Blocos Suburbanos”, que foi vencido pelo “De Língua Não Se Vence”, com o enredo "Aphotheose no Firmamento".

 

Outro periódico, o “Diário de Notícias”, mantinha uma página inteira dedicada ao carnaval onde publicava a agenda e as notícias dos ranchos, das grandes sociedades, dos blocos dentre outros grupos de foliões. Sacy Pererê, um dos redatores carnavalescos que usava este apelido, escrevia coluna chamada “Caldeira de Plutão”, onde contava casos ocorridos durante a organização dos desfiles, letras de sambas e compositores do carnaval carioca. Pinnel, outro redator, era responsável pela coluna “Pavilhão Lombroso”, na qual traçava perfis de dirigentes e de personagens carnavalescos. Porém, a publicação dava pouco espaço aos blocos e associações com menos recursos financeiros.

 

Segundo os(as) autores(as) dos livros "Escola de Samba: a árvore que esqueceu a raiz" (Lidador-SEEC/RJ, 1978) e "Paulo da Portela: traço de união entre duas culturas" (Funarte, 1980), em 1931 foi a a primeira vez que o concurso de samba ocorreu na Praça Onze. Ainda segundo as autoras da segunda obra acima citada, naquele mesmo ano também foi a primeria vez que uma agremiação teria desfilado com fantasias e a alegoria relacionada ao enredo denominado "Sua Majestade o Samba". Contudo, os cerca de 30 jornais e revistas da época não trazem nenhuma nota sobre o ocorrido. O título do enredo citado aparece em nota jornalística, mas durante o Carnaval de 1932.

 

Apesar da busca realizada página por página dos jornais e revistas consultados, não foi possível encontrar menção às agremiações que precederam a Portela. Também não conseguimos localizar citações envolvendo Paulo da Portela ou outros dirigentes do agrupamento de Oswaldo Cruz. Os jornais mencionam algumas atividades carnavalescas ocorridas em Madureira em torno do coreto decorado. Destaque para a participação do "Innocentes de Madureira", conjunto musical que mereceu nota em algumas publicações. Outras agremiações também são mencionadas, mas nenhuma têm relação com a Quem nos Faz É o Capricho ou com a Vae Como Pode.

 

 

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Edição do Diário Carioca de 12 de fevereiro de 1931 anuncia o desfile dos blocos

 

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Capa de "O Jornal" de 15 de fevereiro de 1931

 

 

 

Pesquisa e texto: Marcello Sudoh
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