"VOANDO PARA A GLÓRIA"

 

1933

 

O "Concurso das Escolas" de Samba de 1933 contou com a participação de 28 agremiações.

O jornal "O Globo" substituía o concorrente "O Mundo Esportivo" patrocinando o evento, que prometia sucesso ainda maior do que o obtido no ano anterior. O desfile estruturou-se, ganhou o apoio do prefeito Pedro Ernesto, mas estava muito aquém do reconhecimento pretendido pelos sambistas.

Para a divulgação dos desfiles, jornalistas de "O Globo" visitaram algumas escolas a fim de explicar o que era uma escola de samba, manifestação ainda desconhecida dos leitores, predominantemente membros das camadas abastadas da sociedade.

 

Centenas de lâmpadas

Segundo o jornal "Correio da Manhã" de 28 de fevereiro, participaram do certame ocorrido no domingo, dia 26, as escolas Vae Como Pode, Fiquei Firme, Sport Club Guarany, União do Amor, Aventureiros da Matriz, Embaixada Escola Amizade do Realengo, Podia Ser Peor, União Barão da Gamboa, Capricho do Engenho Novo, Inimigos da Tristeza, Azul e Branco, Na Hora É Que Se Vê, Recreio de Ramos, Última Hora, Nós Não Somos Lá Essas Coisas, Estação Primeira, Estrelas da Tijuca, É Assim Que Nós Queremos, Filhos de Ninguém, Unidos da Tijuca, Escola de Catumby, Em Cima da Hora, Tuyuty, Príncipe da Floresta, União do Uruguay, Mocidade Louca de São Cristóvão, Lyra do Amor, De Mim Ninguém Se Lembra, Vizinha Faladeira, Prazer da Serrinha e Escola Paz e Amor. O desfile começou às 21h35 teminando às 4h15. Diferente dos depoimentos de sambistas portelenses que participaram do evento, a publicação registrou que o enredo da Vae Como Pode teria sido "O Carnaval". Talvez tenha ocorrido, por parte do jornal, uma pequena confusão entre o título do enredo e o título do samba que seria cantado no desfile. Apesar do enredo ter sido titulado como "Voando para a Glória", a Escola desfilou cantando os sambas "Carnaval da Vitória", de Ventura, e "Parei", de Licurgo Batista.

O Vae Como Pode foi a 13ª escola a desfilar, entrando na Praça Onze ornamentada e iluminada por centenas de lâmpadas logo após o Recreio de Ramos. Mais de 30 mil pessoas estavam presentes para aplaudir o desfile da escola de Oswaldo Cruz, região reconhecida como um dos principais redutos de samba da cidade.

O enredo de autoria de Antônio Caetano foi inspirado na águia, o símbolo da escola. Auxiliando Caetano estavam Juca, Candinho e os jovens Lino Manuel dos Reis e Euzébio Gonçalves da Silva. Esse grupo formava equipe fundamental para as glórias futuras da Portela.

A equipe responsável pelo barracão criou um belíssimo castelo no qual pousava uma águia de asas abertas, ponto alto do desfile, além de diversas crianças andando de bicicleta para ilustrar a idéia proposta. O samba, composto por Boaventura dos Santos, o Ventura, foi "O Carnaval da Vitória", que expressava a esperança do pessoal de Oswaldo Cruz na conquista do primeiro campeonato. Contudo, o talento de Ventura e a criatividade de Caetano não foram suficientes para que a escola conquistasse o título.


Questão de tempo

A comissão julgadora foi composta por João da Gente, Roberto Lobo, Antônio Veloso, Jorge Murade e Pilar Drumond. Como os três últimos não compareceram, o jornalista Jofre Rodrigues foi chamado para também fazer parte. O resultado final apontou o Vae Como Pode em quarto lugar empatado com o "De Mim Ninguém se Lembra", do bairro vizinho de Bento Ribeiro, que contava com o ex-portelense Heitor dos Prazeres.

Nada, porém, abalava a confiança dos sambistas de Oswaldo Cruz. Era apenas o segundo desfile, e todos sabiam que a primeira vitória seria questão de tempo.

 

1933 3 2 Desfile DiarioCarioca

Nota de 2 de março de 1933 pubiicada pelo jornal "Diário Carioca", com o resultado do desfile

 

 
Pesquisa e texto: Fábio Pavão e Marcello Sudoh
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