"HOMENAGEM À JUSTIÇA"

 

1940

 

O grande sucesso do desfile de 1939 encheu os portelenses de esperança para a disputa do bicampeonato. O desfile marcado para domingo de carnaval, dia 4 de fevereiro, tinha como enredo "Homenagem à justiça", idealizado por Lino Manuel dos Reis e desenvolvido com o auxílio de Euzébio, Nô e Hilton.

 

A Praça Onze, local dos desfiles, ganhou decoração especial da prefeitura. Uma baiana de 20 metros de diametro (foto abaixo), chamada "Roda de Samba", foi montada sobre o chafariz. A saia rodada trazia ilustração com sambistas, cabrochas e instrumentos de samba iluminados por 2,5 mil lâmpadas. Para agradar a população que ali se aglomeraria, Lino preparou várias alegorias, entre elas as que representavam a liberdade e a justiça. A esperança era que mais uma vez a escola comovesse o público e arrancasse os esperados aplausos.

O samba, novamente composto por Paulo da Portela, tinha um verso em que dizia: "Salve à justiça!". Contudo, na hora em que a escola se apresentou, as pastoras teriam cantado "Pau na Justiça!", em vez da letra original do samba.

 

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Edição de 3 de fevereiro de 1940 do "Correio da Manhã" anuncia o desfile das escolas de samba e exibe foto da baiana gigante montada sobre o chafariz da Praça Onze

 

Protesto ou erro


Exsitem algumas divergências sobre a forma com que esse samba foi cantado e que ainda não foram totalmente esclarecidas. Alguns acreditam que o samba foi modificado propositalmente na hora do desfile, como uma forma de protesto diante do momento político que o país atravessava; outros, no entanto, dizem que foi apenas um erro, sem qualquer intenção de criticar a realidade social brasileira.


De uma forma ou de outra, a verdade é que o resultado acabou não correspondendo às expectativas iniciais. A Portela obteve apenas a quinta colocação, com 81 pontos, atrás da Mangueira (111), Mocidade Louca de São Cristovão (107), Azul e Branco (90) e União de Sampaio (84). Os quesitos julgados foram Samba, Harmonia, Conjunto, Bandeira e Enredo. A apuração ocorreu no dia 9 de fevereiro na Sala de Imprensa da prefeitura.


Desfilaram, num trecho que ia da Praça da República até a Marquês de Sapucaí, 30 escolas, mas somente 23 foram observadas pela comissão julgadora de 1940 composta pelos funcionários da prefeitura, Modestino Kanto, Francisco Guimarães Romano e Gerhardt Luckman, e os jornalistas Arlindo Cardoso ("Diário Carioca") e Lourival Dalier Pereira ("A Batalha" e "A Tarde"), todos nomeados pessoalmente pelo prefeito Henrique Dodsworth. Segundo a imprensa escrita, cerca de 20 mil pessoas estiveram na Praça Onze para assistirem os desfiles.

Segundo o jornal "O Radical", em sua edição do dia 8 de fevereiro (foto abaixo), Paulo da Portela foi muito aplaudido por populares que foram assistir os desfiles. Depois de Portela e Mangueira, "Paulo da Portella foi a grande atração que a Praça Onze apresentou", finaliza a nota, provando o grande respeito, prestígio e admiração que o fundador da Portela gozava naquele período.

 

Edição de 8 de fevereiro de 1940 de "O Radical": aplausos para Paulo da Portela

 

 

 

 

Pesquisa e texto: Fábio Pavão e Marcello Sudoh
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