"MOTIVOS PATRIÓTICOS"

 

1944

 

Em 1944, a Força Expedicionária Brasileira (FEB) se preparava para embarcar para a Itália e logo entraria em combate ao lado das tropas aliadas. O clima de tensão no período próximo ao carnaval era tamanho que a União Geral das Escolas de Samba (UGES) divulgou nota oficial que, entre outras coisas, facultava a suas filiadas a condição de desfilar (foto abaixo).

Nessa situação, algumas agremiações se uniram em iniciativas isoladas e participaram em desfiles pela capital. No dia 12 de fevereiro, sábado anterior ao carnaval, o Unidos da Tijuca, o Unidos do Tuiuti e o Corações Unidos de Jacarepaguá desfilaram em Botafogo homenageando o prefeito e o chefe de polícia. Em Madureira, desfilaram o Unidos de Madureira, o Unidos de Bento Ribeiro e o Lira do Amor.

A revista "O Cruzeiro", publicou em 19 de fevereiro e 9 de setembro, extensa reportagem com a escola de samba Unidos da Tijuca. As duas edições se tornaram fonte de pesquisa sobre aquela agremiação e sobre as escolas de samba da época. O jornalista David Nasser foi o autor do material amplamente ilustrado. Em março faleceu Zé Espinguela, organizador do primeiro concurso de samba, em 1928.

No desfile oficial, realizado dia 20 de fevereiro, no Obelisco da Avenida Rio Branco, participaram nove escolas. As agremiações não contaram com a subvenção da prefeitura. Raros foram os órgãos de imprensa que designaram repórteres para cobrir o espetáculo, que ficou sem maiores registros ou informações oficiais.

 

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"A Manhã" de 10 de fevereiro de 1944. A União Geral das Escolas de Samba publica nota deixando a decisão de participar do carnaval a cargo de cada escola


Esforço de guerra

A Portela apresentou o enredo "Motivos patrióticos", novamente formulado pela Liga de Defesa Nacional (LDN) e pela União Nacional dos Estudantes (UNE). As alegorias, idealizadas por Lino, Euzébio e Nilton, homenageavam os principais símbolos nacionais, como a Bandeira Nacional, o Brasão da República, o Hino Nacional, entre outros.

Envolvidos no clima de patriotismo que tomava conta do país, as escolas de samba mais uma vez deram importante auxílio para o "esforço de guerra". Exaltando os símbolos nacionais, a Portela mostrava para o público que a união era fundamental naquele momento difícil que o país estava atravessando.

O samba apresentado era de autoria de Zé "Barriga Dura" e Nilton "Batatinha", e muito contribuiu para o sucesso do desfile portelense.

Mais uma vez, a Portela sagrou-se campeã, ficando a Mangueira com o vice-campeonato. Definitivamente consolidada como maior escola de samba do carnaval carioca, a Portela conseguia o tetracampeonato.

O país estava tenso, preocupado e triste. Mas em um recanto da nação o povo estava feliz e alegre. Um lugar que, sem esquecer o sofrimento da guerra, sorria. Era um local vitorioso. Era Oswaldo Cruz. Era o sexto título da Portela.

 

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"A Manhã" de 20 de fevereiro de 1944, dia do desfile das escolas de samba. Um dos poucos jornais que publicaram notas sobre o carnaval daquele ano

 

Pesquisa e texto: Fábio Pavão e Marcello Sudoh

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