"A VOLTA DO FILHO PRÓDIGO"

 

1951

 

Em janeiro de 1951, Getúlio Vargas tomou posse como presidente do Brasil para um segundo mandato que marcaria definitivamente a história do País. As escolas de samba, dividas em duas entidades carnavalescas, se prepararam para realizar mais um ano de desfiles. As agremiações filiadas à União Geral das Escolas de Samba do Brasil (UGESB) se apresentaram na Praça Onze e, como nos anos anteriores, ignoravam completamente o que acontecia com as escolas filiadas à Federação Brasileira das Escolas de Samba (FBES). Sob a tutela da UGESB, 20 escolas brigaram pelo título do carnaval daquele ano, entre elas a Portela. Outras 40 desfilaram sob a bandeira da FBES.

O desfile da UGESB seria realizado na Praça Onze. Contudo, devido a pressão do Governo do Rio de Janeiro, os principais jornais e revistas do período ignoraram os preparativos, direcionando o noticiário impresso para o desfile oficial. O jornal "A Manhã" continuou publicando críticas as escolas filiadas à UGESB e exaltando o regulamento da FBES, que punia as filiadas que apresentassem cartazes políticos, com exceção daqueles que citavam militares, muitos deles ligados aos partidos do governo da capital.

No dia 20 de janeiro, três policiais desceram de um bonde no Catete e dispararam contra um grupo de sambistas do GRES Unidos do Santa Amaro, que desfilava naquele bairro. Um menor de 14 anos de idade veio a falecer. Apesar do ocorrido, a FBES não publicou qualquer nota de repúdio ao ataque sofrido pela agremiação, que era sua filiada, a fim de não desagradar o governo local.

 

O enredo portelense

Em Oswaldo Cruz, Lino Manuel dos Reis foi o responsável pelo enredo da Portela e acumulava esse cargo com o de presidente da agremiação. Inegavelmente, Lino era um nome fundamental para o sucesso da Escola.

 

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Lino Manoel dos Reis, em 1956. Revista "O Cruzeiro".

 

Aproveitando-se da chegada de Getúlio Vargas novamente à presidência da República, cujos sambistas apoiavam, Lino preparou o enredo "A volta do filho pródigo". O tema pretendia mostrar toda a alegria que os sambistas portelenses sentiam com a volta daquele que era considerado o "pai dos pobres".

E os grandes feitos do primeiro governo Vargas entravam na avenida com a Portela. As leis trabalhistas, sua maior realização, eram apresentadas numa bonita alegoria. Outro carro, também muito bem realizado por Lino, Euzébio e Nilton, representava a Siderúrgica de Volta Rendonda, berço da indústria de base nacional.

Com samba de Josias e Chatim, a Portela fez um grande desfile, deixando a avenida credenciada para ser a campeã, o que não acontecia desde o inesquecível heptacampeonato de 1947.

 

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A "Gazeta Popular" de 4 de fevereiro de 1951 anuncia o início do carnaval

 

A comissão julgadora reconheceu a superioridade portelense, elegendo-a como a grande vencedora do carnaval de 1951. Em segundo lugar ficou a escola Os Três Mosqueteiros, deixando a bicampeã Mangueira na terceira colocação.

Já o desfile oficial patrocinado pela prefeitura do Rio de Janeiro e pela FBES ocorreu no dia 4 de fevereiro, domingo de carnaval, das 23h às 7h30, na Av. Presidente Vargas, próximo à Escola Rivadávia Correia. O Império Serrano sagrou-se tetracampeão.

Conforme o jornal "Diário de Notícias", edição de 8 de fevereiro de 1951, o número de passageiros que desembarcaram no Terminal Ferroviário D. Pedro II (atual Central do Brasil) durante os três dias de carnaval foi inferior ao do ano anterior. No carnaval de 1950, pouco mais de 304 mil foliões passaram pelas catracas da principal estação ferroviária carioca. Em 1951, esse total foi de 277 mil pessoas.

 

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O "Correio da Manhã" de 8 de fevereiro de 1951 faz um balanço do carnaval que passou

 

 

Pesquisa e texto: Fábio Pavão e Marcello Sudoh
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