COMISSÕES MODERNAS

 

2007CFGlo

Comissão de Frente da Portela (2007, O Globo)

 

Se a Portela foi quem introduziu as comissões de frente nas escolas de samba, foi também quem mais tempo se manteve fiel a sua concepção original, embora, em alguns anos, os carnavalescos tenham criado comissões, se assim podemos chamar, "modernas".

Até 1993, a Portela resistiu às mudanças no carnaval. Gente como Manacéa, Monarco, Casquinha, Ari do Cavaco, Alberto Lonato e outras grandes personalidades portelenses abriam sempre o cortejo azul-e-branco, impondo o respeito necessário já no início do desfile. A chamada comissão de frente "tradicional" da Portela, a única que respeitava a origem desse quesito, composta por gente que tinha representatividade para apresentar a escola, era um dos pontos altos do desfile do Sambódromo, aguardada por todos os amantes do samba tradicional.

Entretanto, as transformações nesse quesito foram tão intensas que ficava difícil julgar com os mesmos critérios os shows que algumas escolas apresentavam e a tradição dos senhores portelenses. A Portela viu-se obrigada a se enquadrar à nova concepção que esse quesito estava adquirindo, haja vista o fato de que alguns insensíveis jurados passaram a tirar pontos da escola, não entendendo o que era a verdadeira tradição do samba.

Em 1994, a Portela passou a adotar uma comissão de frente "moderna". O coreógrafo Jerônimo, um dos maiores passistas da agremiação, organizou uma comissão formada por dançarinos de lundu, de acordo com o enredo "Quando o samba era samba". A partir de então, as comissões de frente da Portela passaram a ser verdadeiros espetáculos, um show à parte dentro do desfile.

A comissão de frente da Portela ganhou o Estandarte de Ouro, premiação máxima do carnaval carioca, nos anos de 1981, 1982, 1991 e 2001.

De 2001 a 2003, o bailarino e coreógrafo Gabriel Cortez foi o responsável pelo "cartão de visitas" da escola na avenida.

Em 2004, com a reedição de “Lendas e Mistérios da Amazônia”, em homenagem aos 20 anos do Sambódromo, a comissão de frente da Portela veio representando os guardiões da lagoa sagrada, sob a responsabilidade da coreógrafa Mariza Estrela. Resgatando um pouco da tradição de desfiles passados, nesse ano a Portela apresentou uma segunda comissão de frente, formada por alguns dos integrantes da Velha Guarda Show e outros artistas portelenses como Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho e Marisa Monte. Certamente, um momento emocionante na avenida.

Em 2005, Alice Arja faz sua estreia no Grupo Especial como responsável pela comissão de frente da Portela.

Ainda sob o impacto dos problemas do carnaval anterior, Jerônimo assina novamente a coreografia da comissão de frente em 2006, representando a formação do povo brasileiro.

A partir de 2007, Jorge Teixeira comanda a abertura dos desfiles da Portela na Sapucaí. Com o trabalho deste coreógrafo, a Portela atinge um novo e superior patamar de qualidade no que se refere a este quesito.

Em 2007, apresenta uma comissão de frente formada por 14 bailarinos representando os atletas gregos da Antiguidade e 1 bailarina representando a deusa grega Niké (foto acima).

Em 2008, com o balé das águas-vivas, a apresentação da comissão de frente acabou não tendo o desempenho esperado, tanto pela fantasia como pelo excesso de pessoas que vieram à frente da escola.

Já em 2009, foi apresentada uma belíssima comissão de frente, representando Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda. Destaque para o bailarino Thiago Soares, um dos sete primeiros-bailarinos do consagrado Royal Ballet de Londres, como Rei Arthur.

Em 2010, a comissão de frente representou o "Wireless na Folia". O responsável pela coreografia foi Henrique Talmah, ex-assistente de Jorge Texeira, que comandara no último carnaval a comissão portelense. O enredo da escola de Oswaldo Cruz e Madureira foi sobre a inclusão digital.

De 2011 a 2013, a responsabilidade pelo quesito coube ao coreógrafo Márcio Moura. Em seu primeiro ano, a comissão de frente representou as estrelas que formavam signos e guiavam os viajantes pelos mares. Foi um carnaval difícil devido ao incêndio na Cidade do Samba, e a escola não foi avaliada. Em 2012, o sincretismo religioso foi a base do trabalho coreográfico da comissão. Em 2013, a comissão de frente da Portela trouxe um trem que se transformava no Teatro Madureira, com dançarinas de cabaré. Nas janelas da composição, havia imagens de portelenses conhecidos, como Tia Surica, Clara Nunes e Paulinho da Viola.

Para 2014 e 2015, a nova diretoria trouxe a coreógrafa Ghislaine Cavalcanti. Na abertura do enredo sobre a região portuária, a comissão de frente teve a lindíssima águia como elemento cenográfico. As asas vinham fechadas e se abriam mostrando o cenário do Rio de Janeiro visto do Porto, com o Pão de Açúcar ao fundo, e casais saindo do elemento para interagir com outros componentes que tinham estandartes da coroa de Portugal. Todos estavam maravilhosamente vestidos. Já no ano do Rio surreal, a comissão de frente apresentou quatro coreografias distintas que retratavam cenas e personagens cotidianos da cidade, à frente do tripé cenográfico que trazia a águia sobre o famoso relógio de Dalí.

Em 2016, além de Ghislaine Cavalcanti, a comissão de frente ganhou dois coreógrafos: Marcelo Sandryni e Roberta Nogueira, ambos bem conhecidos pelo carnavalesco Paulo Barros. A comissão levou para a Sapucaí a Odisseia de Ulisses.Uma espécie de piscina foi montada para abastecer com água um dos integrantes que representava Poseidon num efeito de flyboard, esporte no qual o praticante fica numa prancha com uma mangueira especial e flutua!

Para o ano de 2017, a escola decidiu optar pela contratação de um novo coreógrafo, Renato Vieira, com larga experiência em trabalhos de comissão de frente.